Sobre o amor infinito que sempre existiu entre nós.

Ela nasceu no dia vinte e quatro de março de dois mil. Um pouco depois do carnaval.

E eu me lembro bem quando o médico veio ouvir o coração pela última vez, de dentro da minha barriga. Suas batidas foram comparadas à bateria da Mangueira a todo vapor no carnaval.

Com os meus recentes dezessete anos, foi a primeira vez que eu me senti mãe. Ali, na ante-sala de parto, eu tinha certeza absoluta que estava a poucos minutos da estréia de uma pequena extensão de mim.

Trinta e seis semanas, quase nenhuma barriga, dor, medo, culpa, nenhum juízo e uma única certeza: a escolha era minha.

Raiou a luz na sala de parto. Envergonhada pela minha nudez, num choro contido – quase sem lágrimas – estreou Anna Julia.

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